Los Andes Sagrados

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domingo, 5 de enero de 2014

Libertando o Pássaro Azul

Aqui estamos, neste planeta vibrante de sensibilidade. Estamos de pé, ou prostrados pelo peso das emoções, porém estamos aqui. Somos daqui, terrestres, com o céu, as nuvens, o Sol, as estrelas, como uma redoma azul.

Andamos aqui, bebendo de sonhos, do vento, da água, da vida. Porém, o sentir interior, ainda associa à vida, com conseguir, com conquistar, com solucionar, e dorme ao êxtase que é a principal qualidade da vida.

Dentro da mente profunda, dentro da sensibilidade mais íntima, está presa a mais sutil e sábia consciência. Como um Pássaro Azul, precisa de espaço, de liberdade, de um claro céu para voar e apreciar a vida toda.

Fomos mal educados, e dividimos, fragmentamos a vida. Falamos, estudamos e entendemos somente de nossa parcela, mínima parcela de ação e vida. Perdemo-nos assim, da totalidade da vida.

O Pássaro Azul se inquieta no coração. Dispara a nostalgia, a carência, a solidão, para que não te esqueças de que viemos completos, e vivemos unidos à totalidade da vida. Este modo de conhecer a vida, em partes pequenas, nos impede de degustar a totalidade de seu fluxo.

Este fluxo, em que a consciência percebe a totalidade, tem a intenção que nós compreendamos o propósito, a clara harmonia do viver.

Porém, por educação, falta de compreensão, poluição mental, erros de amar mal compreendidos, karma e mil causas mais, o que seria muito extenso explicar aqui, nos perdemos na fragmentação de nós mesmos, e da vida, e assim nasce o “mundo” - um grande caos, um dragão exterior e interior, cujas escamas tem todas uma só palavra, DEVES. Sim! Recordam-te  o que tens que fazer por dever... e não por amor, como um jogo carinhoso.

E dessa forma, atuamos ligando o fazer com os resultados, criando frustração, competitividade, ou seja, guerras comerciais, matrimoniais, familiares e grupais.

Estes 21 dias, te proponho uma peregrinação sanadora de emoções e da atenção, com a intenção de libertar o Pássaro Azul que pode sentir a totalidade da vida, e compreender a simples unidade de tudo. TUDO ESTÁ COMPLETO AGORA, TUDO É DEUS.

Sabes, vivemos dentro de intenções maravilhosas de cuidar do planeta. Chamamos a isso ecologia, uma palavra não muito bela, mas descritiva.

Porém, quiçá, começamos pelo efeito, descuidando da causa. Temos que criar uma ecologia espiritual, cuidando do caos sufocante interior, libertando o melhor de nós e curando os espaços enfermos e os climas  mentais carregados de poluição, junto com a limpeza dos reinos interiores.

Esta ecologia interior liberta o Pássaro Azul, que a princípio faz, como um filhote, voos curtos, e volta ao ninho do peito. Ao soltar a percepção presa, a atenção dispersa e adormecida nas mil fragmentações se unifica, se levanta clara e unânime.

Quisera que sentisses esta porta aberta, mãe de infinitas possibilidades de viver como uma arte e não como um ser medroso, prudente, desconfiado, carente, adormecido, mecanizado, fugindo de sua responsabilidade de Jardineiro de Pachamama.

Andamos com a sensibilidade adormecida, por erros da nutrição que embota o sentir. Porém não me refiro somente à nutrição da comida, senão à nutrição emocional, de impressões, de sensações, de imagens, de pensamentos, de toque e carícia e de pensamentos criados com graça e beleza.

Tudo é na realidade uma comida, uma substância  física ou energética que nutre ou interfere na sensibilidade. E assim o sentir passa de ser uma parte maravilhosa em nós, a ser só uma recordação.

E as belas paisagens vivas que nos traz Pachamama, em cada agora, passam a ser fotos, ou descrições pobres, em análises técnicas. 

Porém a Vida, com seus contrastes e fluxos de beleza viva, se perde. O homem assim haverá perdido valiosas possibilidades de degustar a plenitude que a Vida nos doa em cada agora.

Este é um convite a um trabalho dual:
a. Uma proposta de incorporar a ecologia espiritual aos espaços desertificados em nós, aos espaços que temos utilizado de lixeira, perdendo sensibilidade e vida. Uma necessária ação de cuidar, curar e libertar os espaços íntimos de tanta pressão por conta da vontade de ser aceitos socialmente, ou de buscar e buscar, sem clareza.
b. Uma unificação da atenção, dispersa como um macaco com febre, sem poder ter uma atitude clara e lúcida na vida.

Percebe que as decisões que tomamos vêm antecedidas pela Visão. Se a lâmpada está apagada, se a flama não está plena, é quase impossível ver por onde andamos, nem ter a perspectiva do momento.

A atenção é a Luz por meio da qual a consciência VÊ. Porém, se a atenção está dispersa, sem claridade e intenção que a unifique no caminho, não poderemos ver onde estamos caminhando, e andaremos perdidos, às escuras.

Deste modo, a obscuridade se transforma em nosso companheiro de viagem, e a ansiedade, o temor, o desejo de não estar aqui e agora, são a música de nosso caminhar.

O trabalho de libertar o Pássaro Azul precisa de luz e um jardim limpo, belo, nutritivo, pois o Pássaro Azul, antes de empreender o vôo pelo Infinito tem que recuperar sua força, seu poder íntimo.

Peço-te que reflitas sobre este viver, e deixes a Vida, para o Pássaro Azul. Porém tu, nós, pequeninas consciências podemos ver se o viver está harmônico e equilibrado. Se o eu superficial está em boa relação com a consciência interior. Se estás trabalhando com prazer e criatividade, ou estás fazendo por dinheiro, se estás amando e sendo amado, ou estás chorando com a solidão cobrindo teu coração com a espessura das ausências.

Se te comprometeres nestes 21 dias, quiçá pudesses anunciar teu renascimento em 22 de março, e junto a ti, todas tuas criaturas interiores cantariam seu regozijo.  Nosso coração, sem batalhões, ganharia a guerra entre a ignorância que nos fragmenta em mil "eus", e uma só flama de atenção iluminaria o jardim mais formoso do Universo, onde voa, canta e fertiliza de amor e graça, o Pássaro Azul

Lucidor Flores


Prática dos 21 dias - 1 a 21 de março de 2014
Informações: misticaandina21dias@yahoo.com.br

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