Los Andes Sagrados

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viernes, 4 de enero de 2013

...como uma simples gota!




Aprendi a aceitar o destino, quando ainda era um menino... sentado na mesa velha do abuelo, sem queixas, com alegria, aprendi a aceitar-me e a aceitar meu destino. E o céu acomodava a vida em um silêncio, que nem sempre é confortável. Desde cedo, o anjinho de falar a vida está dando volta.
Acordei cedinho com os cheiros naturais do monte. Alguns doces, outros amargos, como a vida, assim, devagarinho fui acordando, e o ser sincero e pleno se fez verso em silêncio e todo o coração exalou a vida... TE QUERO... e a inundação chegou mansinha e azul, como uma chuva de estrelas... como uma rajada de graça... chegou.
Como uma simples gota, me uni ao destino sem igual que acontece aos humanos, aos bichos todos e à vida, um destino de rodar pelo leito vivo deste mistério de terra e alma.
Aceitar, com um sentir doce e leve, a tudo o que sucede no agora... é sem dúvida, a chave para sair da prisão das dualidades que nos golpeia desde dentro e nos faz tão fracos e infelizes.
Com aceitar não me refiro a ser tolerante com atitudes prejudiciais, nossas ou dos outros, senão, me refiro, com clareza, à aceitação do que realmente sucede em seu ser, agora.
Assim, nos unimos como uma gota ao rio que canta na vida.
Aceitar-se como um todo, sem etiquetar-se, nem estar dividindo-se em bom e ruim, faz com que a humilde gota adquira brilho e atraia a Vida, e as lágrimas pretas da angústia deixam de golpear desde dentro.
A humilde e amorosa gota aceita tudo o que ocorre em seu interior, assim se umedece de vida, de transparente sonoridade. Se excluirmos algum aspecto do que sentimos, estaremos dividindo-nos, e então alimentamos os sentimentos de separação e medo, e perdemos a dignidade.
A aceitação de nós mesmos, de nosso destino, do que sucede, desmantela toda a base do medo e da separatividade interior e exterior, e dá nascimento a um rio que canta e flui, entre pedras e remansos, entre vales e quebradas, sem se importar pela paisagem e sim, acarinhando a todo o Todo, sendo vida na Vida...
Somos essa gota humilde que desliza pelo leito e é noiva do assombro, encontrando, descobrindo o rio da vida e deixando-se surpreender pelas eternas e infinitas possibilidades...
Com reverente assombro, escuto as cigarras, que com ímpeto indígena, me auguram um dia muito quente, e aceito como uma humilde gota, e assim o coração sorri, pleno e unificado, com todo este agora... Há tanta luz aqui e agora!
Lucidor

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